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Seiichi Niikumi, a poesia ideogramática

Seiichi Niikumi (1925-1977), o mais importante poeta "concreto" japonês, me fez chegar ao idioma de Bashô.
Com Jiri Kolar, Henri Chopin, Pierre Garnier e Paul de Vree, levou adiante o lance de dados que escapou de
toda retórica. "Uma música nunca ouvida para os olhos, uma música nunca vista", como disse O. Paz. Constelações.
No Brasil, pudemos ver, nos 70's, no DOBRABIL de Glauco Mattoso, algo assim: tipográfico, tipoético.
Neste, postado hoje, o primeiro Kanji (Kawa) é rio. O segundo (Sasu) é praia, mar.



Escrito por barto às 18h47
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A Caligrafia de Octavio Paz

Como todo poeta universal Paz também experimentou a poesia visual, caligramática.
Como cifra, como calma, como zero, como excesso. Sem sim, sem não, sem senão.






Escrito por barto às 14h16
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Papasseit - Jaculatòria




Esta poema de amor erótico, de métrica precisa, versos espalhados pela página, foi publicado em 1921, no livro L'irradiator del port i les gavines.
Como eu disse na primeira postagem deste blog, Joan Salvat-Papasseit é um poeta impar, dono de um romantismo diluido na espacialidade da composição caligramática.
Curtam a rima de um "poetavanguardistacatalà", muito mais ligado com as coisas simples da vida do que com a coexistência com a paisagem das máquinas.




Escrito por barto às 19h31
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Manoel Antonio - poeta galego




eu quis tanto mostrar este aqui, mas só pude agora. na Galícia, terra de Rosalia de Castro, já houve quem experimentasse.
há anos. 1920: Manuel Antonio, um raro autêntico. e nem precisa tradução.

Escrito por barto às 14h43
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PAUL VAN OSTAIJEN

O idioma dos flandres sempre me fascinou. E a Bélgica, mais que a Holanda. Por ter dois idiomas. O de Apollinaire e o de Paul van Ostaijen (1896-1928).
Este último, de vida breve, revolucionou a poesia neerlandesa. Este que posto aqui é um raro. Quase caligramático. A tradução é via francês de uma edição bilíngue,
de 1921.





Aqui vai:

Acima no céu VIoleta
sombra violETa
fosforescente
mÃo AMAReLA
Cinco bem perceptíveis
5
DEdos





Escrito por barto às 16h11
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MAX BENSE

Max Bense dispensa apresentações. Este poema tem o dedo do mestre HC




Escrito por barto às 15h52
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UM ESSE



Esse poema-cauda me faz lembrar o de Lewis Carroll: Tail-Poem (quem quiser, pode saborear a belíssima tradução de Augusto de Campos, no seu livro o Anticrítico...há outras traduções mas...)
Bom, Una Esse é um dos meus preferidos. Foi publicado em 1905, no livro Les tenebres, de Rafael Nogreras Oller. Não muito tempo depois de Carroll.
Uma homenagem ao non sense, como diria AC.

Escrito por barto às 22h48
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Guy Lévis-Mano

Guy Lévis-Mano foi meu guru, durante meus anos de Europa. Poeta e Tipógrafo francês é um dos maiores estudiosos e divulgadores da Typoésie e tem uma mini-novela-poema-visual (que eu traduzi em 93, editado em Portugal) que qualquer dia posto aqui. Este texto vem a calhar neste tempos...





----------------------------------------Traduçao livre
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A REVOLTA DOS CARACTERES

O tipógrafo era renomado, exigente, tenaz. Maltratava seus caracteres e não lhes dava descanso enquanto não obtivesse nas páginas o perfeito equilíbrio entre claro e escuro. Os caracteres odiavam-no. Os rolos, que se quebravam por excesso de trabalho, não estavam satisfeitos com ele. Um dia, excedidos, os caracteres, alinhados sobre o mármore, desmancharam a composição. Os que estavam guardados pularam das gavetas. Vogais, consoantes, itálicos e romanos, de assalto, envolveram o tipógrafo numa chapa, encaixaram-no na prensa e o introduziram nos rolos. Estes, alegres por trabalharem sem obrigação, imprimiram aquele tipógrafo único em milhares de tipógrafos ordinários.

Escrito por barto às 18h42
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Josep Maria Junoy




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O Noucentisme, como movimento só veio a se consolidar com a publicação do livro Trossos, em 1916, de Josep Maria Junoy. Apesar do seu vanguardismo durar até 1918, Junoy foi um dos que mais traduziu os textos que apareceram no Cabaret Voltaire (com Tzara no palco), em Zurich. Depois de um "retorno ao classicismo" refugiou-se nos haikais, apartir de 1920. Trossos viria também a ser o nome da principal publicação do movimento catalão, a revista Trossos, continuada por J. M. Foix (o poeta de Sol, i de Dol - de quem postarei qualquer dia uns poemas). O poema de hoje, ESTELA ANGULAR, é uma homenagem póstuma a Boccioni, escultor futurista e um dos que mais impulsionou o movimento com Marinetti. A tradução é uma tentativa/tentação minha.




Escrito por barto às 20h04
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Vicente Huidobro

Todo país tem seu Drummond. O Chile tem o seu, Neruda. Eu gosto dos dois, por falarem com facilidade do amor, que não é tema fácil, desde os trovadores. Mas todo país também tem o seu Dos Anjos, o seu Leminski, o seu Whitman, o seu Khlébnikov, o seu Marcial, o seu Gomez de la Serna, o seu Huidobro... Este, chileno de Santiago (1893-1948), foi um renovador. E como tal conheceu Apollinaire, embora a leveza dos seus versos sustentem ecos de Heine (o poeta de Marx). Escreveu também em francês. E mandou suas palavras tomarem páginas, palavras exército, como queria Apollinaire. Palavras soldados de um poeta Cid, lendeario, novo depois de morto. Para sempre. Hoje, posto aqui um poema que me alegrou muito tê-lo conhecido: TRIANGULO ARMONICO. É tão bonito que nem precisa tradução. Há um asterístico e numeração para notas que são o seguinte: no título, o asterístico é pra dizer que o poema é parte de uma série (Fresco Nipon, Nipona e La capilla aldeana - esses eu traduzi para uma revista que foi editada em Portugal, em breve posto aqui também. Os números 1: Kioto, antiga capital do império japonês e centro das tradições do Japão; 2: Mikado, título do imperador do Japão; 3: Ofélia, a de Hamlet (óbivo). PS: Há um fragmento do seu grande poema, Altazor, traduzido pelo mago Augusto de Campos, que vale a pena ser lido. Está em Vecente Huidobro - Altazor e outros poemas e tem uns versos assim: já vem já vem a mandodorinha já vem já vem a andorlina já acode ode ode a andolinda já acode a andovinda já acode a andofinda a andofina a andovia olhos abertos a andofria com tesouras cortando a bruma a andorafia (se puderem ver o original - em francês - vão perceber o que o mago fez).

Escrito por barto às 22h41
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Joan Salvat-Papaseit

O poema de hoje é um achado. Me foi apresentado em 92 pelo meu amigo Pablo Vilalta, quando eu morava no Porto (Portugal). Pablo, além de um grande artista plástico, é um grande poeta (não sei se ele dá a mímina para isso, mas faz as coisas como poucos). Ele me mostrou uma série de poemas visuais de autores catalães. Além de ter ficado deslumbrado com o idioma dele, fiquei ainda mais fascinado com os poemas, que são todos do começo do século, todos escritos entre 1905 e 1918. Nessa época, em Barcelona, uma geração de poetas, artistas gráficos e escritores criaram o Noucentisme, um movimento que protagonizou a vanguarda na Catalunha. Eco dos dados de Mallarmé, o Noucentisme recria em catalão inicialmente o que ia sucedendo em Paris, Milão, Madrid e Zurique (vela dizer, Futurismo/Marinetti, Dadaismo/Tzara). Posteriormente, toma um rumo próprio quando Papasseit se auto-intitula Poetavanguardistacatalá e na sua revista Un Enemic del Poble publica Mots Propis (Minhas Palavras). Noucetisme é uma palavra única, intraduzível (nou é novo e nove). Poderíamos chamar Novecentismo, Novocentismo, sei lá, o século que anunciava na Europa a nova escrita para a poesia: Poemes Cal.ligrames, como traduziu Papasseit os versos novos de Apollinaire. De Joan Salvat-Papasseit, e de uma série de outros poetas noucentistes, eu traduzi com Pablo Vilalta uma série de poemas numa edição limitadíssima, distribuida entre amigos e que agora eu vou postar todos aqui aos poucos. Do meu amigo Pablo, vai uma homenagem: o poema DURAENQUANTODURA. E de Papasseit, um haikai gráfico, feito por volta de 1916 (Caminhos de sol - Por rotas amigas - Umas formigas). té mais.

Escrito por barto às 21h04
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Apollinaire

Olá, você está conhecendo o blog Caligramas. Este nome é uma homenagem a Guillaume Apollinaire, poeta de origem polonesa, que na Paris do começo do século, juntamente com dadaísta e futuristas desmontou definitivamente o verso. Nunca abandonou a tradição lírica (embora achasse "cadavéricos" os versos de Dante). No meio de frases dispostas nas páginas como constelações, com tipos gráficos de vários tamanhos e desenhos, sem uma direção obrigatória para o olhar, podemos ler versos como este (do poema A gravata e o relógio): la beauté de la vie passe la douleur de mourir (a beleza da vida desculpa a dor de morrer) Dispostos numa conformação gráfica que dizem outra coisa de si (embora o poeta nos mostre isso nos títulos), os Caligramas inauguraram nas vanguardas européias uma faceta do poema dedicada ao olhar. Um fazer poético que desembocaria no que aqui viríamos a conhecer como Poesia Concreta, no fim dos anos 50, ou um pouco antes, na Typoésie francesa, nas experiências dadá de Albert Birot, no poeta galego Manuel Antonio, Tzara, Huidobro e nos noucentistes catalães (de quem, em breve, postarei aqui algumas traduções). Bem vindos.

Escrito por barto às 20h50
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